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Micro Carros

Grandes Histórias

22 Ago 2015 // 28 Fev 2016

 

Ao longo da história da indústria automóvel, sempre houve o fascínio em produzir pequenas viaturas.

 

Bubblecars, Microcars, Microcoches, Microcotxes, Motocars ou Voiturettes são algumas das designações internacionais que os Microcarros assumem. O seu aparecimento coincide com os períodos entre Guerras e as épocas de recessão.

 

Durante a Segunda Guerra Mundial, algumas fábricas de automóveis como a Peugeot ficaram sob domínio alemão e foram obrigadas a produzir apenas peças para as versões militares do Volkswagen. Simultaneamente, eram concedidas autorizações pontuais aos pequenos construtores para produzirem veículos eléctricos.

 

A escassez de recursos e as crises dos anos 20 a 50, que abalaram o mundo ou algumas das suas regiões, aguçou a necessidade de mobilidade, independência e liberdade e fez com que começassem a surgir vários fabricantes de pequenas viaturas, os microcarros, através de projectos com cariz mais ou menos experimental, em toda a Europa, especialmente na Alemanha e França.

 

Já no pós-Guerra, a maior parte destes veículos utilizavam materiais excedentários ou com pequenos defeitos de produção fabril das linhas de montagem da indústria aeronáutica e de armamento. Além do escoamento de stocks, continuava a salvaguardar-se os postos de trabalho para relançar a economia e recuperar a produção industrial das empresas que sobreviveram ao conflito bélico. A motorização era assegurada por pequenos motores fornecidos pelos fabricantes de motociclos.

 
 

Estes carros de pequenas dimensões foram uma grande alavanca no ressurgimento económico, pois permitiram de uma forma inteligente adaptar os escassos materiais existentes e colocá-los ao serviço do mercado economicamente frágil, assegurando a necessária mobilidade.

 

Apesar de tradicionalmente as épocas de crise serem propícias ao aparecimento de viaturas económicas, os gigantes da indústria automóvel mundial não ficaram alheios a este nicho de mercado e desenvolveram também os seus próprios projectos, resultando em modelos com grande êxito e de referência, tais como o BMW Isetta, o Fiat Topolino e o Fiat 500, bem como o NSU Prinz. Outras marcas alcançam também o reconhecimento, como é o caso da Fuldamobil, Gogomobile, Heinkel, Lloyd, Messerschmitt, PTV e Vespa. Mais raros podem considerar-se o Velorex, Scootacar, Trident, De Rovin, Solyto, Brütsch Moppeta, Mochet, Peel e dezenas de outras, provavelmente reconhecíveis apenas pelos amantes dos microcarros.

 

Pela conjuntura que se vivia durante as épocas de produção, estes veículos eram parcos em luxos e performances. Uma vez que não possuíam as características mais valorizadas pela maioria dos coleccionadores ao longo dos anos, a que acrescia não terem grande valor comercial nas tabelas, grande parte foi empurrada para a destruição. A sua reduzida série de produção faz com que alguns deles constituam verdadeiras raridades a nível mundial.

 

Em Portugal, no início da década de 80, foi produzido um microcarro: o SADO 550. Este veículo, quase desconhecido, foi o primeiro automóvel português produzido em série.

 

A História Automóvel nunca poderá ser escrita esquecendo estes projectos que fizeram parte do progresso económico do pós-guerra na Europa e contribuíram para o entusiasmo e liberdade de um grande número de cidadãos.

 

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