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Escultura

 

A Colecção de Escultura do Museu do Caramulo é vasta e é diversa no seu conjunto, albergando peças arqueológicas egípcias, helenísticas, chinesas e um acervo de obras de escultura europeia ocidental e portuguesa, este mais coeso.

 

As referências estéticas mais importantes são assim as da escultura europeia, dentro de uma cronologia que vai do século XII ao século XX. O grupo de peças do século XX tem sentido, para além disso, na análise geral da Colecção de Arte Contemporânea do Museu do Caramulo.

 

Neste universo, as sucessivas doações que caracterizam a história da Fundação Abel e João de Lacerda - Museu do Caramulo, criaram um corpus de obras esculpidas quer em bronze - no que diz respeito aos materiais de suporte de várias peças arqueológicas e de algumas obras contemporâneas -, quer em pedra (calcários e alabastros), quer ainda em madeira, em barro, ou em gesso.

 

O percurso expositivo que o Museu do Caramulo nos propõe é cronológico. Note-se que todas as peças que constituem a Colecção de Escultura são mostradas à fruição pública, não se conservando obras "em reserva". Dúvidas de classificação estão apresentadas ao conhecimento. De acordo com este princípio, encontra-se exposto no claustro um curioso grupo de imagens executadas em calcário no século XX segundo os modelos mais comuns na produção portuguesa - e sobretudo coimbrã - do século XV. Nesta "recuperação", traduz-se o gosto dos doadores do Museu do Caramulo pelas qualidades da escultura gótica quatrocentista portuguesa.

 

No museu, entre as esculturas medievais europeias, recebe-nos primeiro o fragmento românico de uma figura não identificada mas, pela sua quantidade e coerência, merece atenção particular o conjunto de imagens em madeira policromada dos séculos XIV das quais se salientam a Virgem e o São João Evangelista remanescentes de um Calvário, e o Cristo Crucificado. Juntam-se-lhes duas Virgens entronizadas com o Menino Jesus ao colo que seguem a tipologia corrente na escultura peninsular desde o século XIII.

 
 

Já da transição do século XV para o século XVI, deve ainda ter-se em consideração o Cristo Crucificado, também em madeira policromada, que nos dá uma excelente perspectiva sobre as permanências formais e iconográficas da produção portuguesa de Cristos Crucificadas, quando comparado com o exemplar anterior da representação do tema, esse ainda do primeiro gótico português associado museograficamente às imagens do Calvário.

 

A Virgem da Piedade fecha o circuito da madeira policromada da Idade Média, introduzindo-nos também num tema frequente em Portugal, no século XV, recebido a partir da difusão de uma linha de espiritualidade característica do norte da Europa e que, no nosso país, viria a plasmar-se em fecunda produção de imagens de pedra calcária policromada, sendo esta Piedade, portanto, uma obra a destacar, não só pela sua excelência plástica, mas também pela memória material do trabalho hodierno em madeira, naturalmente mais perecível.

 

No percurso cronológico, segue-se o Calvário em alabastro, placa de fabrico inglês da segunda metade do século XV, que nos introduz dentro do universo das esculturas europeias com grande difusão em Portugal. Tal como no século XV, os doadores do Museu do Caramulo retomam o gosto por obras sobretudo de cariz devocional, produzidas nos centros das Midlands inglesas e exportadas pelos portos de Bristol ou de Londres. A afeição pela escultura europeia continua patente seja na pequena imagem da Virgem com o Menino saída das oficinas de Malines, ou na Virgem com o Menino executada por artífice do norte da Europa, ambas da transição do século XV para o século XVI, servindo quase como apontamentos de memória para a conjuntura "flamenguizante" da história do gosto português do período manuelino. A Virgem Imaculada das oficinas renascentistas de Coimbra, o Cristo Triunfante representado em alto relevo - quase vulto - no fragmento de uma porta de sacrário, assim como o Padre Eterno remanescente do coroamento de um retábulo em calcário de Ançã, são as peças sequentes e expressão da escultura do Renascimento em Portugal, destacando-se a sua ligação à obra de João de Ruão (act. em Portugal 1528/30-m. 1580) e a importância da sua oficina em todo o norte de Portugal, até ao final do século XVI.

 

No trabalho da madeira, um curioso anjo candelário de proveniência goesa faz a ponte com a colecção de obras luso-orientais. Do barroco, a colecção integra obras em materiais diversos, umas portuguesas, em madeira entalhada, dourada e policromada, como acontece com os painéis da Adoração dos Magos e da Santíssima Trindade, outras de importação como os alabastros produzidos em Itália no século XVIII ou por ela inspirada nas imagens devocionais do Arcanjo São Miguel e da Virgem.

 

Enquanto no painel da Adoração dos Magos persiste a tradição do século XVII, na Santíssima Trindade explode o virtuosismo do trabalho em talha do barroco português. Ainda no mesmo contexto devoto do barroco monumental do século XVIII, seguem-se a Sagrada Família e a Matança do Porco, dois grupos de Presépios modelados em barro nas oficinas de Lisboa, enquanto o esboceto da Minerva, modelo em gesso para uma estátua atribuída a Joaquim Machado de Castro, fecha o percurso, apontando os caminho do neoclassicismo português.

 

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